Satélite CBERS

Fonte: EMBRAPA *

O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite ou Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) foi implantado em 1988 após parceria assinada entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST), num convênio técnico-científico binacional envolvendo Brasil e China.

A inserção do Brasil em um sistema completo de sensoriamento remoto possibilitou um grande avanço tecnológico para o país, refletidos no fomento da ciência, indústria e serviços relacionados à área espacial. A missão CBERS mantém três satélites de observação terrestre em órbita: o CBERS-1 (lançado em 1999 e inativo desde 2003), o CBERS-2 (lançado em 2003) e CBERS-2B (lançado em 2007). Inicialmente o programa previa o desenvolvimento e a construção de apenas dois satélites de sensoriamento remoto e, devido ao sucesso da missão, em 2002 foi assinado um acordo para continuidade do programa, que ainda prevê o lançamento de mais dois satélites a partir de 2010: O CBERS-3 e o CBERS-4.

CBERS-2 encerra vida útil

Satélite que fez do Brasil o maior distribuidor de imagens orbitais do mundo, o CBERS-2 deixou de operar no último dia 15 de janeiro, fato anunciado nesta quarta-feira (28/1) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Quando lançado do Centro de Taiyuan, na China, em 21 de outubro de 2003, o satélite sino-brasileiro tinha vida útil projetada de dois anos. Nestes mais de cinco anos, superou todas as expectativas ao produzir mais de 175 mil imagens que serviram para monitorar o meio ambiente, avaliar desmatamentos, áreas agrícolas e o desenvolvimento urbano.

Desde o lançamento do CBERS-2B, em setembro de 2007, o Brasil vinha contando com dois satélites próprios para vigiar o seu território com melhor capacidade e frequência de observação. Os satélites são resultado do sucesso do Programa CBERS (sigla para China-Brazil Earth Resources Satellite; em português, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), parceria iniciada com a China há 20 anos e que garantiu a ambos os países o domínio da tecnologia do sensoriamento remoto.

Principais Sistemas Sensores – Sensores Orbitais

WFI (Wide Field Imager ou Câmera Imageadora de Amplo Campo de Visada)
Satélites CBERS-1, CBERS-2 e CBERS-2B

O imageador WFI é capaz de obter cobertura completa do globo terrestre em aproximadamente 5 dias. As imagens são captadas em faixas de 890 km e possuem resolução espacial de 260m. Sua principal característica é o amplo campo de visada, o que torna as imagens úteis para observações nas escalas macrorregionais ou estaduais, devido esta característica, suas imagens podem ser utilizadas para a criação de mosaicos nacionais ou estaduais, geração de índices de vegetação para fins de monitoramento, mapeamento agrícola, etc.

CCD (High Resolution CCD Camera ou Câmera Imageadora de Alta Resolução) – Satélites CBERS-1, CBERS-2 e CBERS-2B

A câmera CCD é um sensor óptico capaz de adquirir imagens da Terra com resolução espacial de 20 metros. Com os dados fornecidos por esse sensor, é possível refinar os mapeamentos obtidos a partir de imagens do WFI. Além de adquirir dados no nadir, adquire também em visadas laterais de aproximadamente 32º, o que permite a obtenção de pares estereoscópicos. A resolução temporal oferecida pelo sensor é de 26 dias. Suas principais aplicações são a identificação de áreas de florestas e campos agrícolas, quantificação de áreas, análise da dinâmica das florestas, parques, etc.; identificação dos limites continente – água, monitoramento de reservatório, geração de material de apoio para o ensino de geografia, meio ambiente, etc.

IRMSS (Infrared Multispectral Scanner ou Imageador por Varredura de Média Resolução)Satélites CBERS-1, CBERS-2

O sensor IRMSS é um imageador por varredura que foi lançado a bordo dos satélites CBERS 1 e CBERS 2 e substituído no CBERS 2B pela câmera HRC. Opera com 4 bandas espectrais, sendo duas na região do infravermelho médio, uma pancromática e uma na região do infravermelho termal, com resolução espacial que varia de 80 a 160 metros. O IRMSS possui as mesmas aplicações que o sensor CCD, e também, é capaz de obter a cobertura da Terra em 26 dias, além disso, devido à banda do infravermelho termal, permite a análise de fenômenos relacionados às alterações de temperatura da superfície.

HRC (High Resolution Camera ou Câmera Pancromática de Alta Resolução)
Satélite CBERS-2B

O sensor HRC possui uma única banda espectral, que opera no espectro do visível e infravermelho próximo. Encontra-se a bordo do satélite CBERS-2B e destaca-se pela alta resolução espacial que oferece (com 2,7 metros), o que possibilita um maior detalhamento da superfície em relação aos dados captados pela câmera CCD. O HRC é capaz de produzir imagens com 27Km e obter a cobertura completa da Terra em 130 dias, o que corresponde a aproximadamente 5 ciclos de cobertura do sensor CCD. As principais aplicações do HRC são a geração de mosaicos nacionais ou estaduais detalhados, criação de produtos para fins de planejamento local ou municipal, aplicações urbanas, atualização de cartas temáticas.


Comentários


Técnico em Cartografia, Blogueiro, Fascinado por Tecnologia e futuro Geógrafo, Jorge Santos atualmente trabalha com Geotecnologias no Rio de Janeiro. Seu objetivo é avançar sempre, sem esmorecer, rumo ao pleno conhecimento cartográfico.

4 Respostas para “Satélite CBERS”

  1. Diogo Caribé de Sousa

    ago 15. 2011

    Jorge,

    Valeu pelo seu blog, a cada dia tenho entendido mais sobre ele.

    Me resta uma duvida aqui,que se vc pudesse esclarecer.
    Nesta frase vc diz:”adquirir dados no nadir, adquire também em visadas laterais de aproximadamente 32º”. O que é o nadir e a visada lateral?

    Abcs

    Diogo

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  2. Diogo Caribé de Sousa

    ago 15. 2011

    Outra duvida,

    Quando recebo o ftp para baixar as imagens tem um arquivo que é chamado de “scenario”, o que ele significa?

    É uma especie de metadado da imagem?

    Valeu

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