Porto Maravilha: Revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro

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Região Portuária: uma proposta de divisão em núcleos

Esperamos que este trabalho contribua para um maior conhecimento da Região Portuária do Rio de Janeiro e do Projeto Porto Maravilha, estimulando sua visitação, seu desenvolvimento e a confirmação de sua identidade.

A Operação Urbana Porto Maravilha se alinha aos grandes projetos de regeneração urbana de antigas regiões portuárias no mundo inteiro. Seus principais atrativos são o forte conteúdo simbólico – histórico, social e cultural – dos espaços construídos e o expressivo potencial de renovação imobiliária que possuem, tornado possível pela presença de grandes terrenos (antigos pátios de depósito de mercadoria) vazios ou galpões ociosos. A associação destes dois elementos, aliados a incentivos proporcionados pela legislação urbanística, cria um ambiente favorável às mudanças, onde o patrimônio histórico e as forças da renovação se unem para promover o desenvolvimento e a integração das áreas na dinâmica econômica das cidades. A presença do mar, de baías ou rios aumenta a atratividade turístico-paisagística dessas áreas.

A proposta de divisão da AEIU da Região Portuária do Rio em 11 núcleos homogêneos tem por finalidade evidenciar suas peculiaridades e seu potencial de desenvolvimento. Os núcleos estão apresentados segundo suas características predominantes, seus locais de destaque (marcos urbanos), sua geografia e sua vocação.

Apesar de apresentarem muitas singularidades, um aspecto comum entre os Núcleos é seu relativo isolamento da cidade e mesmo entre si, funcionando às vezes como territórios destacados uns dos outros. Daí a importância da implantação de um novo sistema viário que vai permitir o deslocamento no interior da área, possibilitando a integração dos Núcleos entre si e deles com o restante da cidade, principalmente com o Centro e com os bairros de São Cristóvão, Cidade Nova, Praça da Bandeira e Cajú, que fazem fronteira com nossos três bairros portuários – Santo Cristo, Gamboa e Saúde.

O mapa a seguir apresenta os 11 Núcleos resultantes desta regionalização da Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) da Região Portuária do Rio de Janeiro.

Nucleos Rio de Janeiro

Maiores detalhes no site do Projeto Porto Maravilha.

8 Comentários

  1. A região portuária da cidade do Rio de Janeiro, excetuando o Caju e a atual Praça 15 de Novembro (onde ficava o Cais Faroux), é dividida em três pequenos bairros, Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Ao se dividir a região em onze núcleos, sua ‘conquista’ pelos empreendedores públicos e privados, é facilitada.
    Mesmo com 107 pontos/referências apresentados, ainda sentimos falta de outros, como a Agremiação Recreativista Escola de Samba Vizinha Faladeira (1932), a mais antiga Escola de Samba ainda em atividade; a Ilhota e Fortaleza de Santa Bárbara (em respeito à tradição e a ‘lei’ da defrontação); e os dois túneis (rodoviário e ferroviário).
    Sergio da Costa Velho
    Geógrafo
    Vice-Presidente da Liga Portuária

  2. Fiz uma releitura dos pontos/referências apresentados constatando mais ausências: a Sociedade Dramática Filhos de Talma (fundada há mais de 130 anos); a Estação Terminal Rodoviário de Passageiros do Porto (possivelmente será desativada/não confundir com o Terminal Marítimo de Passageiros); dentre outros. Também me surgiram algumas dúvidas, pois a Estacão Leopoldina e o Monumento Zumbi dos Palmares, que constam como pontos/referências, estão fora dos mapeamentos apresentados.

  3. Por incrível que pareça, o Mosteiro de São Bento e o Distrito Naval constam como pontos/referências do Porto Maravilha, mesmo estando fora do mapeamento do dito. Em contrapartida, onde estão o INPI, o INT, a CEDAE, dentre outros órgãos públicos?

  4. Redescobrir nossas origens socio-cultuais e redesenhar nossas memorias, pois ao mergulharmos no universo de nosso processo de mixigenacao e aculturamento, estaremos fundamentando, nossa verdadeira identidade historica. Os bairros do Centro, Saude, Gamboa e Santo Cristo, sao inequivocas digitalizacoes de nossas memorias…
    PRIMEIRO: Nossa heranca socio-cultural historica remonta aos indios tupys-guaranys, e seus multiplos ramos geneticos indigenas deste solo chamado Terra de Santa Cruz…
    Foram massacredos ao longo de um danoso, nefasto e cruel processo, onde o indio-brazilys, foi destrocado e gragmentado em suas origens…NOSSA REGIAO E DEPOSITO DE HISTORIAS…TRADICOES…ACERVOS…VIDA.

  5. Gabriel

    Apesar do intenso processo de miscigenação, sincretismo e aculturação, não só da zona portuária, como de todo o Brasil, ainda identificamos diversidades que constituem o nosso maior patrimônio.
    Em nossa história colonial já tivemos um ‘Fahrenheit 451’ (Truffaut, 1966), promovido pelo Marquês de Pombal quando da proibição do uso do idioma tupy, predominante do Amapá à Cisplatina, e sua substituição pelo idioma português.
    Hoje, constatamos práticas nazista (marcação de casas) e a ‘limpeza social’ (exilados sociais) na zona portuária.
    É a repetição da história com novos exemplos, que serão esquecidos muito em breve, pois a nossa memória fatalmente será derrotada pela ‘história oficial’.

  6. Correção

    Na mensagem anterior, onde se lê ‘práticas nazista’, leia-se práticas nazistas.

    Também, faltou um importante alerta: devemos estar constantemente atentos para não sermos usados, manipulados por idéias ou propostas ‘plantadas’, que podem modificar valores e paisagens, enfim, mudar radicalmenete o perfil dos três bairros que compõem a zona portuária.

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