Crise X Inovação: a valia do sensoriamento remoto no Brasil

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A partir da constatação do Estado brasileiro apresentar déficit bilionário em seu orçamento corrente, o que significa: não haver dinheiro para realização de investimentos, ou pior, assistir os governos federal e estaduais com extrema dificuldade de honrar suas despesas correntes mais básicas; voltamos a observar a pressão de várias correntes do governo e também de vários setores da sociedade pela aplicação da velha cartilha econômica: aumento de impostos, aumento da taxa de juros, recessão econômica no “curto prazo” para que um dia o sol volte a brilhar, etc.

É assombroso abrir os jornais e ler a notícia que as principais centrais sindicais do Brasil estão levando uma pauta de sugestões para o governo na qual destaco as seguintes pérolas: aumentar a contribuição sobre a folha de pagamento das empresas à Previdência Social (isto porque já temos no Brasil a folha de pagamento mais cara do mundo); aumentar o Estado recriando o Ministério da Previdência e aumentando o número de fiscais (isto porque temos o maior rombo orçamentário da história do país). Acredito que a maioria dos brasileiros possuem a consciência que não se trata de, simplesmente, mais impostos ou de um Estado maior. Temos uma estrutura de Estado notadamente ineficiente, ou seja, aumentá-la permanecendo o mesmo modus operandi só irá aumentar a ineficiência, traduzindo: maior custo sem retorno algum!

Já passou da hora da sociedade brasileira se voltar para Inovação no que tange ao emprego de tecnologias e, principalmente, avaliar seus procedimentos de forma que possibilitem ganhos de eficiência (fazer mais com menos). Por exemplo, focando especificamente na nossa área de atuação considerada como sendo um pequeno nicho, constatamos impactos positivos e extremamente relevantes que as aplicações do sensoriamento remoto têm trazido para alguns setores do governo.

Meio Ambiente

Acompanhando o Centro de Monitoramento Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA nos últimos 5 anos são visíveis os resultados auferidos na detecção de desmatamentos ilegais, inicialmente na região amazônica e mais recentemente em todos os biomas brasileiros. Desde 2013, foram realizados mais de 3.500 autos de infração, cada auto de infração gera uma multa e representa retorno econômico para o Governo.

A orientação voltada para a inovação adotada pelos gestores do Centro, no que diz respeito ao emprego de tecnologias e processos, incrementou fortemente o alcance dos objetivos do Monitoramento. A utilização softwares livres, processos aprimorados e automatizados refletiram diretamente na redução de custos, ou seja, aumento da eficiência.

Monitoramento de Ferrovias e Rodovias

Ao longo de 2015, o Tribunal de Contas da União – TCU vem avaliando o emprego do sensoriamento remoto para otimizar os procedimentos de auditorias das grandes obras e empreendimentos do governo, como por exemplo: ferrovias e rodovias. Uma vez que o sensoriamento remoto seja adotado de forma corporativa e, portanto, de forma continuada, permitirá ao TCU um incremento superior a 50% no que tange a execução das auditorias de campo, ou seja, o Tribunal chegará mais rápido e mais próximo no fato gerador de algum ilícito e o mais importante, sem o aumento de sua estrutura própria.

Importante notar que a inovação não se dá simplesmente pelo emprego de uma nova tecnologia, mas também pelo aperfeiçoamento dos procedimentos a fim de que estes considerem o resultado da aplicação das novas tecnologias e, somente assim, se verificará o incremento da capacidade operacional do Tribunal ou de outro órgão da estrutura do governo.

Terras Indígenas

A Fundação Nacional do Índio – FUNAI implantou o Centro de Monitoramento Remoto (CMR) com a missão inicial de monitorar as Terras Indígenas da região amazônica em uma extensão territorial equivalente a cerca de 1.100.000 Km². O CMR emite alertas mensais em relação as mudanças detectadas sobre o solo destas áreas a partir de imagens de satélite ópticas e de radar.

A atitude inovadora da FUNAI, não somente em relação as tecnologias que baseiam o CMR, mas também em relação a parceria com a iniciativa privada que subsidiou a criação do CMR, começa a gerar relevantes informações sobre as Terras Indígenas brasileiras com agilidade e qualidade inéditas e, ainda, sem o acarretamento de aumento da estrutura do órgão. Neste caso, fica clara a percepção não somente em relação a racionalização dos recursos empregados, mas muito mais do que isto, trata-se da viabilização de uma série de mecanismos gerenciais que somente a partir da inovação se tornou viável; pois não poderíamos acreditar que, seja em tempos de crise ou mesmo de economia pujante, a FUNAI conseguiria estruturar um verdadeiro “exército” para monitorar os limites das Terras Indígenas brasileiras, com certeza isso jamais aconteceria.

Aqui estão uma pequeníssima amostra do famoso dito popular “pensar fora da caixa”, ou melhor, INOVAR! Os investimentos em tecnologia, nestes casos específicos, em sensoriamento remoto, representam a racionalização de recursos públicos e que certamente retornam positivamente para a sociedade brasileira.

Não podemos permanecer com a mesma atitude de 50 anos atrás pois o resultado da economia é uma consequência e não uma causa, portanto não sairemos deste embrolho somente aplicando medidas econômicas ou, principalmente, aumentando o Estado. Nossa sociedade (eu, você, seu vizinho) somos pouco inovadores, passou da hora de mudarmos nossa atitude. Dentro das respectivas áreas de especialização existe muito espaço para aperfeiçoarmos nosso país ao invés de insistirmos na mesma cartilha, temos muito espaço e possibilidades no Brasil. Chegou a hora de nos reinventarmos através da inovação.

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