Vida acadêmica: quais são as opções possíveis e como estudar fora do país

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Curso Técnico, Graduação, Especialização, Mestrado, Doutorado, Pós-Doutorado… Ufa!!!

Certa vez, dei de cara com esta parábola que infelizmente desconheço o autor:

Um dia, um homem de negócios chegou a uma ilha. Viu um aborígene deitado na sombra, perto da praia.

– Por que está sem fazer nada? Perguntou

– E o que acha que deveria fazer?

– Veja, há muitas frutas exóticas ao seu redor. Você poderia colher e vender por um bom preço. Em sua volta, há um mar tranquilo e praias paradisíacas. Você poderia construir um grande hotel e ganhar muito dinheiro. Você poderia ganhar milhões de dólares.

– E o que faria depois?

– Você poderia vir a praia e descansar tranquilamente!

– E por acaso, não é isso que estou fazendo?

Quantas vezes nos deparamos com a famosa frase: …”há se soubesse isso antes”… E foi o que aconteceu comigo. Hoje em dia priorizo família, amigos, estudos, trabalho e a mim mesma. Quando fazemos com amor o que gostamos, o dinheiro é uma consequência. No meu caso não é a quantidade, mas o suficiente para pagar as despesas “necessárias”. Passei a rever meus conceitos e viver de forma sustentável. Não estou a criticar grandes empresários ou empresas, pelo contrário, nós precisamos deles para fomentar a economia do país.

Então, a sugestão é transformar nós mesmos e fazer do local onde passamos a maior parte dos nossos dias (trabalho, faculdade) um verdadeiro lar. É difícil? Sim. Impossível? Não!

Comecei a trabalhar muito nova e sempre conciliando os estudos, até o final do Mestrado. E durante o Mestrado foi que me deparei com a “bolsa de estudos”. Eu não entendia: ”O governo paga para estudarmos? ”… Sim, é uma verba pública destinada à educação.

Por muitos anos trabalhei em empresas privadas, onde tive a oportunidade de conhecer e aprender sobre o mundo corporativo. Trabalhar com várias pessoas, com diferentes ideias e opiniões, foi e é uma verdadeira escola da vida real. Experiência única.

No doutorado, pela primeira vez, dediquei todo o meu tempo aos estudos, com auxílio da bolsa da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior – CAPES. No início do curso em 2010, quando tive contato pela primeira vez com as Geotecnologias, descobri minha verdadeira paixão. Tudo era motivo para aprender mais e mais. Participava de treinamentos na área, cursos presenciais e online, palestras, workshops, eventos, congressos e no meio de tudo isto, pesquisei sobre o doutorado sanduiche, com o objetivo de aprender novas tecnologias que não estivessem disponíveis no Brasil (esse é o principal objetivo da bolsa fora do país: aprender e apresentar novas tecnologias e metodologias).

Procurei informações sobre bolsa no exterior e em janeiro de 2011 vi o edital com inscrições abertas para o Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE) – CAPES. Até aqui tudo bem, agora era definir o país, a Universidade ou Instituição. Após várias pesquisas na área de Recursos Hídricos, Geotecnologias e Pesquisadores, as opções eram: Canadá, Austrália e Alemanha. A ajuda da minha orientadora foi de fundamental importância nesse momento, uma vez que ela já conhecia o Dr. Armin Werner (meu co-orientador), pesquisador do Instituto ZALF (http://www.zalf.de/de/Seiten/ZALF.aspx) na Alemanha, que se prontificou na minha orientação.

E para isto só havia um pequeno detalhe, aprender alemão em três meses (normas do PDSE) e passar na prova de proficiência do Goethe-Institut.

www.goethe.de/ins/br/pt/index.html

Foram três longos meses de dedicação exclusiva, morando em Jaboticabal e estudando alemão em Ribeirão Preto – SP; viajava 2 horas todos os dias (ida e volta). Nas horas vagas aproveitava para fazer exercícios, leituras, assistir vídeos via internet e aprender a história do país, tudo em alemão.

Após levantar toda documentação requisitada pelo PDSE – CAPES, fiquei na expectativa do resultado que chegou em poucas semanas: Aprovada! Neste instante, parece que entramos em transe. Será que é verdade ou não?

Quando a adrenalina baixa, após toda correria com documentação, assinaturas, tudo dentro do prazo, fiquei me questionando: E agora? Agora é arrumar as malas e partir!

Anteriormente, já havia sanado todas as dúvidas com o pessoal do ZALF quanto as normas do Instituto, os horários de trabalho/pesquisa, moradia, etc. E assim, fui de São Paulo com destino a Berlin e de Berlin para a pequena cidade de Müncheberg (50 Km da capital), com 6.783 habitantes aproximadamente.

Fui muito bem recebida na Guesthouse, local próximo e vinculado ao Instituto (também com regras e normas próprias), onde a maioria dos estudantes e pesquisadores alugam moradias, durante o desenvolvimento do trabalho no ZALF.

Já instalada, fui conhecer o ZALF e o departamento onde desenvolveria parte do meu projeto: Institut für Landnutzungssysteme – Instituto de Sistemas de Uso da Terra/Solo

http://www.zalf.de/de/institute_einrichtungen/lse/Seiten/default.aspx

Os horários de trabalho no Instituto são similares ao Brasil, com início entre 7h – 8h da manhã e término entre 17h – 18h.

Müncheberg por ser uma cidade pequena, me senti completamente em casa. Na guesthouse, no trabalho e na cidade, as pessoas são sempre muito educadas, atenciosas e prestativas. Um ponto decisivo, foi minha vontade, literalmente, de vivenciar a cultura alemã e experimentar o novo. As pessoas percebem essa força de vontade em querer aprender. Na cidade, a maioria das pessoas falam inglês, mas eu pedia para que conversassem em alemão comigo e me corrigissem quando eu falasse errado. E podem acreditar, eles tiveram muita paciência comigo.

No início do meu projeto, iniciei vários treinamentos no software ArcGIS, participei de cursos e quando realmente “coloquei a mão na massa”, me deparei com inúmeras dúvidas, erros ao processar dados, etc. Pesquisei vídeos na internet sobre o assunto, encontrei um que, além de mostrar passo a passo tudo que eu precisava, ainda narrava minuciosamente e didaticamente o porquê de cada processo. E foi assim, que lá da Alemanha, conheci virtualmente meu mestre em geotecnologias, o carioca Jorge Santos, idealizador do site Processamento Digital.

Voltando ao Instituto ZALF, além das pesquisas no departamento, eu também participava de avaliações à campo, reuniões, palestras, workshops, cursos, onde todos são tratados com muito respeito e sem distinção.

O que eu pude perceber, é que o comprometimento dos pesquisadores alemães e de outros países está equiparado com a maioria dos nossos pesquisadores brasileiros. O diferencial entre a Alemanha versus Brasil é o desenvolvimento. Eu reconheço que mesmo sem uma boa estrutura física ou até orçamentária, nossos pesquisadores contribuem muito para uma pesquisa de qualidade.

Aprender o máximo, vivenciar uma cultura completamente diferente e, principalmente, participar, experimentar o novo e trazer de volta um retorno para a sociedade, uma contribuição dessa experiência, realizada entre outubro de 2011 a setembro de 2012, foi o mais importante.

De volta ao Brasil, continuei os estudos do doutorado no Departamento de Engenharia Rural na UNESP de Jaboticabal, onde convivi com técnicos, professores, graduandos, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos. Cada um com uma bagagem enorme de vida e conhecimento. Entre uma conversa e outra, surgiam grandes ideias, projetos, soluções de dúvidas e um bom café, é claro.

Nessa troca de informações, percebia que alguns alunos, principalmente da graduação, tinham dúvidas quanto o que queriam durante e ao término do curso. Compartilho algumas delas:

– Tema/projeto de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) – Qual assunto abordar?

– O que é a bolsa auxílio na graduação?

– Começar a trabalhar após a graduação ou continuar os estudos?

– Bolsa auxílio no Mestrado e Doutorado?

– Fazer a graduação, Mestrado ou Doutorado em outro país?

No ensino médio de hoje, há várias possibilidades de teste vocacional, aptidão profissional na escola ou na internet para descobrir (se ainda tem dúvidas), qual curso escolher na graduação, sugiro acessar o link:

http://www.guiadacarreira.com.br/teste-vocacional/

Depois de escolher o curso é preciso estudar muito e interagir com o universo acadêmico. Toda universidade tem suas regras. Procure ler e conhecer muito bem cada uma delas. Faça um tour pelo campus, conheça os departamentos, pergunte, questione. Faça boas amizades, inclusive com pessoas de outros cursos, troquem ideias, sugestões, porque hoje o mundo é multidisciplinar.

Sobre a bolsa auxílio na graduação, procure informações no departamento do curso. Existem “n” possibilidades, mas para isso leia, leia muito.

Imagine agora que já esteja na metade da graduação e identificou uma área que mais gosta. Invista nisto e elabore um projeto com ajuda do seu orientador. Faça tudo com ética, determinação, respeito e, principalmente, amor. Isto mesmo, amor. Você está criando, quem sabe, algo que poderá beneficiar a sociedade mais necessitada. E depois, Mestrado e Doutorado é uma continuação deste romance, porém, com novos projetos, ideias inovadoras, um olhar bem mais amplo e apurado.

Quanto ao Mestrado e Doutorado, o programa do curso também poderá tirar suas dúvidas. Seja curioso e vá em busca de informações nos sites do governo, valores de bolsas, tais como:

http://www.capes.gov.br/bolsas

http://cnpq.br/apresentacao-bolsas-e-auxilios

Ou pesquise por estado, pois cada um tem seu próprio órgão de fomento. Exemplo:

UF Link UF Link
AC http://www.fapac.ac.gov.br/ AL http://www.fapeal.br/
AM http://www.fapeam.am.gov.br/ AP http://www.fapeap.ap.gov.br/
BA http://www.fapesb.ba.gov.br/ CE http://www.funcap.ce.gov.br/
DF http://www.fap.df.gov.br/ ES http://fapes.es.gov.br/
GO http://www.fapeg.go.gov.br/ MA http://www.fapema.br/site2012/
MT http://www.fapemat.mt.gov.br/ MS http://fundect.ledes.net/
MG http://www.fapemig.br/pt-br/ PA http://www.fapespa.pa.gov.br/
PB http://fapesq.rpp.br/ PR http://www.fappr.pr.gov.br/
PI http://www.fapepi.pi.gov.br/ RJ http://www.faperj.br/
RN http://www.fapern.rn.gov.br/ RO http://www.rondonia.ro.gov.br/fapero/
RR *Roraima  RS http://www.fapergs.rs.gov.br/
SC http://www.fapesc.sc.gov.br/ SE http://www.fapitec.se.gov.br/
SP http://www.fapesp.br/bolsas/ TO http://seden.to.gov.br/

*Até 27 de agosto de 2015, apenas Roraima não possuía uma fundação estadual de apoio à pesquisa.
Fonte: http://confap.org.br/news/ministro-de-cti-prestigia-abertura-do-forum-do-confap/

Como disse no início, procure ter/formar sua própria opinião (respeitando as outras é claro). Após ler sobre este assunto, questione-me, conteste-me. Estamos aqui para aprendermos juntos. Entendamos que nossa opinião é mutável para melhor, à medida que adquirimos mais conhecimento e sabemos passar o que foi aprendido.

Para finalizar, um vídeo inspirador:

https://www.youtube.com/watch?v=VlbXsa2e8eU

 

Fraterno abraço,

Beatriz

 

Informação Importante:

26º PROGRAMA BOLSAS DE VERÃO CNPEM

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais – CNPEM – realizará o 26º Programa Bolsas de Verão, destinado somente a estudantes de graduação universitária matriculados em cursos de áreas das Ciências da Vida e Ciências Exatas de instituições de ensino localizadas em países da América Latina e Caribe. O Programa estimula jovens com vocação para pesquisa científica e atividades de desenvolvimento tecnológico. As inscrições ficarão abertas por um período de 15 dias, em outubro.

http://pages.cnpem.br/bolsasdeverao/

8 Comentários

  1. Un texto muy sincero sobre tu experiencia académica y muy instructivo para todas aquellas personas que se encuentran en un fase de estudios; toda ayuda es poca para conseguir nuestras metas y quién mejor que nosotros para ayudar a los que vienen detrás.

    • Nerivaldo,
      Boa tarde!
      Fico feliz que tenha gostado do texto. E eu mais ainda por saber que há vários jovens talentos como você.
      Me corrija se estiver errada. Consultando o Lattes, percebi que você já tem um forte vínculo com a Universidade, Pesquisa, atuante em grupos que desenvolve projetos com o apoio de geotecnologias.
      Qual conselho ou sugestão que você poderia deixar para quem está iniciando a vida acadêmica?
      Desde já agradeço.
      Abraço.
      Bia

  2. Certa vez, uma pessoa me disse que, quando você viaja para outro país, sua mente muda. De fato, minha meta para 2017 é fazer uma viagem para o exterior e sentir um pouco desse sonho que você viveu. Texto riquíssimo em detalhes, indicações e mapas que podem ajudar a traçar os sonhos dos jovens. Precisamos de mais pessoas com essa vontade de compartilhar experiências com intenção de ajudar as pessoas. Obrigado por compartilhar esse texto conosco, Beatriz!

  3. Eu que agradeço mestre Jorge!
    Aqui foi uma pequena contribuição, que na verdade, são os próprios leitores que acrescentam e valorizam ainda mais os conteúdos.
    Aguardaremos aqui, o relato da sua experiência no exterior.
    Abraço.
    Bia

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