A Era do Lixo – Junto à crise hídrica, Gestão do Lixo é o novo foco no Brasil

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A urbanização proporciona o desenvolvimento e melhora a vida da humanidade, mas têm deixado muita sujeira pelo caminho. Então, o que fazer com o inevitável volume de detritos produzidos no país?

O total de resíduos sólidos produzidos no Brasil entre 2014 e 2015 aumentou 1,78%, passando de 78,6 milhões de toneladas para 79,9 milhões, ou seja, cresceu mais do que a população brasileira, que aumentou 0,8%. Por dia, geramos em média 218.874 toneladas; por pessoa isso representa 1,071 kg.

Brasília tem o maior lixão da América Latina, distante apenas 15 quilômetros da Esplanada dos Ministérios. Existem áreas com lixo a céu aberto, nem na capital federal a Lei 2289/2015 decolou. A questão continua com o aumento do número de lixões clandestinos, pois muitos lixões surgem em áreas desocupadas. Desde 1960, mais de 30 milhões de toneladas de lixo passaram pelo Lixão da Estrutural, área vizinha ao Parque Nacional, maior unidade de preservação do DF. Pesquisas apontam que o subsolo e os recursos hídricos da capital estão prejudicados pelos resíduos acumulados nas últimas décadas. A saída categórica do problema é o novo aterro de Samambaia (cidade satélite que fica a 25km do Plano Piloto), em construção às margens da DF-180, que o governo promete inaugurar ainda em 2016.

Como curiosidade, disponibilizo um link onde é possível verificar os países que geram mais resíduos sólidos e os dez lixões mais peculiares do mundo. O mapa aponta ainda quantos quilos de lixo são produzidos por pessoa ao ano em cada país. Além disso, os dez pontos pretos indicam alguns dos maiores lixões do mundo. Ao clicar nestes pontos, é possível obter informações sobre o seu tamanho, quantidade de resíduos acumulados e o tipo de material predominante (do lado esquerdo do mapa, poderá aumentar ou diminuir, e segurando o mesmo com o mouse, mover para os lados).

Produção de lixo eletrônico no Brasil

A América Latina gerou 9% dos resíduos eletrônicos do mundo em 2014, a maioria no Brasil (36,16%) 3,9 milhões de toneladas. O Brasil é seguido de longe na lista por México (958 mil toneladas), Argentina (292), Colômbia (252), Venezuela (233), Chile (176) e Peru (147), segundo o relatório da Associação de Empresas da Indústria Móvel – GSMA e do Instituto para o Estudo Avançado da Sustentabilidade da Universidade das Nações Unidas – UNU-IAS. A maior parte desses resíduos, que abrangem desde pequenos eletrodomésticos, monitores de televisão e celulares, foi gerada no Brasil, que em 2014 produziu 1,4 milhão de toneladas.

A gestão dos resíduos é um dos maiores desafios das cidades brasileiras. Muito do que é produzido poderia ser reciclado, mas, infelizmente, não é o que acontece. Há no país muitos lixões, a prática menos recomendada. Veja no infográfico para entender o caminho do lixo.

Mapa

Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM) em 2014, dezesseis capitais brasileiras não possuíam aterro sanitário: Aracaju (SE), Belém (PA), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Macapá (AP), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO), Recife (PB), São Luís (MA) e Vitória (ES).

A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em 2010 e estabeleceu que todos os lixões do país deveriam ter sido fechados em 2 de agosto de 2014. Essa lei coíbe:

– Lançamento de resíduos sólidos em praias, mar e outros ambientes hídricos;

– Lançamento de resíduos sólidos a céu aberto, com exceção da mineração;

– Queima a céu aberto ou em locais não destinados para tal finalidade.                                    

O Projeto de Lei 2289/2015, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, estabelece o prazo até 31 de julho de 2018, para capitais e regiões metropolitanas se adequarem; até 31 de julho de 2019, para municípios com população superior a 100 mil habitantes; até 31 de julho de 2020, para municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes e até 31 de julho de 2021, para aqueles com população inferior a 50 mil habitantes.

Segundo Ednilson Viana, pesquisador na área de Gestão Sustentável de Resíduos Sólidos, isso pode flexibilizar demais o que já deveria ter sido cobrado com rigor. “Os lixões e mesmo os aterros controlados são métodos de disposição dos resíduos sólidos no solo com sérios impactos ao meio ambiente e à saúde da população, deixar para depois o que já deveria ter sido feito até 2014, representa, a meu ver, contribuir para a redução da qualidade de vida da população e desconsiderar ou minimizar os riscos que isto representa no coletivo” alerta Viana.

Logística reversa

É o comprometimento das empresas na reciclagem do lixo que produzem. Dos cinco setores industriais, três já oficializaram acordos sobre isso, tais como: embalagem de óleos lubrificantes, lâmpadas e embalagens em geral (plástico, metal, papelão e vidro). Ainda faltam fechar acordos os produtores de eletroeletrônicos e medicamentos. Um dos obstáculos para isso é a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) pelos estados.

Educação Ambiental e os 5R’s

  1. Repensar: O que você está comprando, realmente necessita? Consome por impulso e acaba cometendo desperdício? Ao invés de comprar algo novo, você não poderia reaproveitar algo que já tem? Você compra sapatos, computador, roupa nova, mas o que você faz com os antigos? Você os reaproveita ou joga no lixo? Como você descarta o lixo na sua casa? Você separa embalagens, matéria orgânica e óleo de cozinha usado, jogando no lixo apenas o que não for reutilizável ou reciclável?
  1. Reduzir: Consumir menos produtos, dando prioridade aos que tenham maior durabilidade. Uma forma de reduzir é adquirir refis de produtos; escolher produtos que tenham menos embalagens ou embalagens econômicas; dar preferência às embalagens retornáveis; produtos a granel; ter sempre sua sacola de compras ao invés de sacolas plásticas; usar a criatividade e fazer bijuterias, brinquedos e presentes personalizados com materiais recicláveis; utilizar lâmpadas econômicas; pilhas recarregáveis ao invés de alcalinas, etc.
  1. Recusar: Quando você recusa produtos que afeta a saúde e o meio ambiente, está contribuindo para um mundo mais limpo. Selecione produtos de empresas que tenham comprometimento com o meio ambiente e sempre fique atento às datas de validade dos mesmos. Recuse sacos plásticos e embalagens não recicláveis, aerossóis e lâmpadas incandescentes.
  1. Reutilizar: Ao reutilizar, você estará ampliando a vida útil do produto, além de economizar na extração de matérias-primas. Criar produtos artesanais a partir de embalagens de vidro, papel, plástico, metal, etc. Utilize os dois lados do papel e faça blocos de rascunho, pois assim, você preserva muitas árvores.
  1. Reciclar: Ao reciclar qualquer produto se reduz o consumo de ÁGUA, energia e matéria-prima, além de gerar trabalho e renda para milhares de pessoas. Faça a coleta seletiva e contribua com um mundo mais sustentável.

Para refletir

Educação Ambiental não é só uma disciplina escolar, é um conjunto de hábitos e valores que conciliam nosso bem-estar e do meio ambiente. Meio ambiente não significa apenas a natureza, é o planeta inteiro, desde as florestas, desertos, montanhas até as grandes cidades.

Essa era intensamente industrializada e consumista, está fazendo com que deixemos o meio ambiente com poluição demais e recursos naturais de menos, o que prejudica muito nossa qualidade de vida.

Vejo que é possível vivermos em harmonia com o Meio Ambiente, usando o ínfimo de recursos e causando o mínimo de poluição possível, resultando em uma mudança de hábitos, a forma de pensar e agir. E o melhor ensinamento de Educação Ambiental a ser deixado para as gerações futuras, é o nosso exemplo.

Saiba mais:

Lixão x Aterro Sanitário

Política Nacional de Resíduos Sólidos

 

Informações Importantes:

Waste Expo Brasil 2016

Data: 22 a 24/11/2016

Cidade: São Paulo, SP

6o Encontro de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos

Data: 29 a 30/11/2016

Cidade: Rio de Janeiro, RJ

32nd International Conference on Solid Waste Technology and Management

Data: 19 a 22/3/2017

Cidade: Philadelfia, Pensilvania

VII Congreso Interamericano de Residuos Sólidos

Data: 25 a 28/04/2017

Cidade: Cuenca, Equador

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