Mudanças Climáticas: uma reflexão sobre o assunto

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Baseada em datação radiométrica, a idade da Terra é de 4.540 milhões de anos e desde então, vem passando por constantes transformações. Essas mudanças, perceptíveis ou não, ocorrem devido à grande energia existente no centro do nosso planeta e influenciam agentes externos como temperaturas extremamente elevadas, glaciação e ações antrópicas.

O aquecimento global teve início muito antes do que se pensava, há cerca de 180 anos (aproximadamente em 1836). Segundo estudo internacional publicado pela revista científica Nature, a revolução industrial teve grande influência e causou muitos impactos no clima.

Uma das instituições participantes da pesquisa, a Universidade Livre de Berlim, adiantou que essa é uma relevante conclusão. O estudo pioneiro do “arquivo natural do clima” dos últimos 500 anos fez uma análise dos corais tropicais, núcleos sedimentares, estalagmites, anéis de crescimento e gelos em ambos os hemisférios. De acordo com o estudo, a partir de 1830, concomitantemente com os avanços da revolução industrial na Europa Ocidental, começou a ser notado um aumento das temperaturas, primeiro no Ártico e nas zonas tropicais dos oceanos, e depois na Europa, Ásia e América do Norte.

Em 1988 foi criado o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – Intergovernmental Panel on Climate), órgão internacional de avaliação da ciência relacionada às mudanças climáticas, pela Organização Meteorológica Mundial (OMM – World Meteorological Organization) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP – United Nations Environment Programme) para fornecer aos formuladores de políticas, avaliações regulares da base científica das alterações climáticas, seus impactos, riscos futuros e opções para adaptação e mitigação. Uma das principais atividades do IPCC é a preparação de relatórios de avaliação abrangentes sobre conhecimentos científicos, técnicos e socioeconômicos sobre as alterações climáticas, suas causas, potenciais impactos e estratégias de resposta.

Efeito Estufa

Dos raios solares que atingem o planeta, quase 50% ficam retidos na atmosfera; o restante que atinge a superfície terrestre, aquece e irradia calor, processo chamado de efeito estufa. Ainda que figurado como algo ruim, é um fenômeno natural que beneficia a proliferação da vida na Terra. O efeito estufa tem como função impedir que a Terra esfrie demais, pois se assim fosse, certamente não teríamos tanta biodiversidade. Porém, estudos têm apontado que as ações do homem vêm agravado esse processo por meio de emissão de gases na atmosfera, principalmente o CO2.

O ator Leonardo DiCaprio é um dos principais ambientalistas e ativistas na luta para combater as mudanças climáticas. Em 2014, foi nomeado pelas Nações Unidas um Embaixador pela Paz e desde 1998, a fundação que criou e leva seu nome financia projetos ao redor do mundo para a proteção e conservação do meio ambiente, animais, direitos indígenas e também, desenvolve soluções inovadoras contra o aquecimento global.

Before the Flood (Seremos História?, na versão para o português), é um documentário lançado em outubro de 2016 que fala sobre o aquecimento global e de como uma simples mudança no nosso modo de vida, no modo de vermos o meio onde vivemos poderá garantir um futuro em harmonia com o meio ambiente. O filme foi dirigido pelo ator e documentarista Fisher Stevens, DiCaprio e pela National Geographic.

Logo no início, o documentário apresenta uma pintura muito interessante de Jeroen van Aeken, (1450 — 1516), pintor holandês com pseudônimo de Hieronymus Bosch, responsável pela obra Jardim das Delícias Terrenas (exposta no museu do Prado, em Madrid), num conjunto de três pinturas unidas por uma moldura (trítico), que descreve a história do Mundo a partir da criação, apresentando o paraíso terrestre e o Inferno nas asas laterais. Ao centro, aparece o que celebra os prazeres da carne com participantes desinibidos, sem sentimento de culpa.

Before the Flood” começa com uma visita ao impressionante mundo de Bosch por meio da sua premonição pintada de que os humanos vão encontrar uma maneira para exterminar o planeta Terra.

jardim-das-delicias-bosch

O primeiro painel (da esq. para dir.) retrata Adão e Eva no paraíso, felizes e coloridos, nos levando a uma época de abundância com matas, água, comida, onde homens e animais viviam em harmonia.

Deboche e loucura são apresentados no segundo painel com o aumento da população. Onde podemos presumir que estamos entre o segundo e terceiro painéis.

O fim do mundo, tal como o conhecemos no terceiro painel com dor, negritude, incertezas, é o que não desejamos que aconteça.

O tríptico fechado na sua parte exterior refere-se ao terceiro dia da criação do mundo. Representa a Terra dentro de uma esfera transparente, símbolo da fragilidade do universo. Há apenas formas vegetais e minerais, não há animais nem pessoas. Sem o Sol nem a Lua embora também seja uma forma de conseguir um dramático contraste com o colorido interior, entre um mundo antes do homem e outro povoado por infinidade de seres.

tritico_fechado

DiCaprio cresceu olhando para a pintura “Jardim das Delícias Terrenas”. Cada painel retrata uma história muito similar ao nosso passado e presente, mas a inquietude do ator é que o terceiro painel torne-se num futuro próximo, muito próximo.

Encarar os efeitos da mudança climática não é um trabalho fácil. Necessitamos diminuir rapidamente as emissões de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa para nos proteger, sustentar nossa economia e preservar nossos mananciais dos efeitos desfavoráveis da mudança do clima.

Penso que todos nós podemos fazer algo. É preciso uma metamorfose da herança de um século de uso desregrado de combustíveis fósseis e suas emissões para uma busca de fontes mais apropriadas e renováveis de energia. Isso exigirá de nós um impulso conjunto em curto, médio e longo prazo para buscar soluções adequadas que protejam o meio ambiente.

Curtam o documentário e comentem a respeito: Before the Flood

Dica: Assistam também a série O Mundo é a nossa casa (todos disponíveis com legenda em português).

Aproveito o momento para desejar a todos um 2017 cheio de Paz, Saúde, Respeito, Solidariedade e muito Amor!

Fraterno abraço,

Beatriz Costa

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É pesquisadora por natureza e vocação. Bióloga, possui Especialização em Biotecnologia, Mestrado em Ciência do Solo, Doutorado em Produção Vegetal e, no momento, é Pós – Doutoranda em Engenharia Ambiental na Área de Recursos Hídricos. Nos últimos 6 anos dedica-se a projetos ligados ao Uso e Conservação do Solo e da Água, Sensoriamento Remoto, Geoprocessamento e Meio Ambiente.

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