Artigo da Semana: Por dentro do DigitalWorld 2017

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Para mencionar o evento DigitalWorld 2017, é necessário falar um pouco sobre a IARIA, organização responsável pelo evento. The International Academy, Research and Industry Association – IARIA (Associação internacional da Academia, Pesquisa e Indústria), tem por objetivo promover intercâmbios científicos e industriais entre os membros de associações, órgãos de normatização, entre outros e estabelecer pontes entre a cultura científica, acadêmica e industrial.

Nos eventos promovidos pela IARIA, os participantes também tem a oportunidade de aprender a presidir sessões técnicas com artigos de especialistas de várias regiões do mundo, assim como participar de tutoriais, painéis e discussões.

A edição 2017 do evento Digital World ocorreu entre os dias 19 e 23 de Março de 2017 em Nice, na França, e agregou diferentes tipos de conferências com temas bem abrangentes, como:

  • ICDS 2017 – The Eleventh International Conference on Digital Society and eGovernments
  • ACHI 2017 – The Tenth International Conference on Advances in Computer-Human Interactions
  • GEOProcessing 2017 – The Ninth International Conference on Advanced Geographic Information Systems, Applications, and Services
  • eTELEMED 2016 – The Ninth International Conference on eHealth, Telemedicine, and Social Medicine
  • MATH 2017 – The International Symposium on Mobile and Assistive Technology for Healthcare
  • EVIDEM 2017 – Evidence-based IT-innovations for People with Dementia
  • eLmL 2017 – The Ninth International Conference on Mobile, Hybrid, and On-line Learning
  • eKNOW 2017 – The Ninth International Conference on Information, Process, and Knowledge Management
  • ALLSENSORS 2017 – The Second International Conference on Advances in Sensors, Actuators, Metering and Sensing
  • SMART ACCESSIBILITY 2017 – The Second International Conference on Universal Accessibility in the Internet of Things and Smart Environments

Cabe destacar que o evento foi bem positivo tanto para a parte de pesquisa, acadêmica ou instituições de tecnologia quanto para as empresas que trabalham com projetos de inovação. Dessas duas áreas, ressalto:

Parte Empresarial: Empresas de tecnologia como a Oracle, OSCARS, CREO Group, HEXGIS, entre outras, estiveram presentes no evento, para apresentar e buscar oportunidades tecnológicas para projetos.

Parte científica: Os artigos apresentados nas conferências prezam por um padrão de qualidade bem elevado, a exemplo a HEX apresentou um artigo, baseado em um de seus projetos, conforme mencionado na coluna (Os caminhos que conduzem a projetos inovadores) no GEOProcessing 2017, cuja taxa de aceitação de artigos foi de apenas 29%.

Vale a pena destacar que dos temas abordados na conferência a internet das coisas (IoT) e as cidades inteligentes (Smart Cities), se destacaram como tendência de desenvolvimento tecnológico na Europa nos últimos anos. A seguir algumas informações sobre essas áreas.

IoT

A Internet das coisas (IoT) pode ser entendida como uma rede gigante de “coisas” conectadas, com envio de dados constantes de RFID tags, Sensores e Smartphones. A Comissão Europeia estima que até 2020 mais de 50 bilhões de aparelhos estejam conectados pela internet.

Dentro das possibilidades oferecidas pela IoT estão a melhoria da eficiência, saúde e segurança da população, em 2012 a Comissão Européia publicou uma série de vídeos com o intuito de incentivar a inovação e a conscientização da IoT. Nesses vídeos é possível entender melhor sobre a IoT e os benefícios que sua utilização pode trazer, bem como as principais preocupações que precisamos ter em mente da conexão dessas coisas.

https://ec.europa.eu/digital-single-market/en/internet-of-things

Para saber mais sobre IoT:

https://www.forbes.com/sites/jacobmorgan/2014/05/13/simple-explanation-internet-things-that-anyone-can-understand/#7102350c1d09

http://www.businessinsider.com/what-is-the-internet-of-things-definition-2016-8

https://www.theguardian.com/technology/2015/may/06/what-is-the-internet-of-things-google

Cidades Inteligentes

Utilizando as informações geradas pela IoT é possível pensar em Cidades Inteligentes, segundo estudo de Frost & Sullivan de 2013, uma cidade inteligente possui 5 de 8 características inteligentes. Essas características são:

  • Governo Inteligente e Educação Inteligente
  • Saúde inteligente
  • Construções inteligentes
  • Mobilidade inteligente
  • Infraestrutura inteligente
  • Tecnologia inteligente
  • Energia inteligente
  • População inteligente

Link do artigo:

https://www.forbes.com/sites/sarwantsingh/2014/06/19/smart-cities-a-1-5-trillion-market-opportunity/#7b82d7f96053

A IoT fornece os dados necessários para tornar viável a criação das Cidades Inteligentes, cujo principal objetivo é o de aprimorar a vida urbana, através do melhor planejamento nas diferentes áreas mencionadas anteriormente, uma maior participação da população, uma vez que a maioria dos dados coletados vem da própria população, maior eficiência na utilização de recursos naturais, melhores soluções de transporte, entre outros meios.

Painel

Além  dos temas mencionados terem sido bem explorados no evento, um ponto interessante foi o espaço destinado às discussões, debates e troca de informações/experiências nas diferentes áreas da tecnologia.

A exemplo, no dia 21 de março de 2017, ocorreu o painel de discussões das conferências GEOProcessing/ALL SENSORS/ICDS com o tópico:

Visões contemporâneas: Quais são as essências de conhecimento geoespacial/sensoriamento e cenários de aplicação?

No painel de especialistas, como palestrantes e integrantes da mesa de discussão, estavam presentes:

Claus-Peter Rückemann (Wesfälische Wilhelms-Universität Münster (WWU) / Leibniz Universität Hannover / North-German Supercomputing Alliance (HLRN), German); Yerach Doytsher (Technion – Israel Institute of Technology, Israel); Alexandre C. Silva (HEX – Tecnologias Geoespaciais, Brasil); Hoyong Park (Oracle, USA) e; Paulo E. Cruvinel (Embrapa Instrumentação, Brasil).

A HEX contribuiu na discussão abordando o tema do monitoramento do território, destacando a sua importância na segurança nacional, utilização sustentável dos recursos naturais e principalmente como provedor de informações para auxílio a tomadas de decisão para ações de controle e proteção ambiental. A unificação do processamento de dados de diferentes plataformas, utilização de tecnologias colaborativas e de código livre, bancos de dados geoespaciais e webservices de SIG foram apontados com algumas das soluções apresentadas para os desafios tecnológicos de monitorar grandes áreas, com muitas informações e locais com informações complexas em decorrência de sazonalidade, diferença de biomas e entre períodos de seca e chuva.

As conclusões da discussão por tópicos (traduzido do expert painel, a ser publicado no site do evento):

  • Dado crowdsourced: Dados e informações estão se tornando cada vez mais importantes. Um dos paradigmas mais significantes hoje é o crowdsourcing, ex., OpenStreetMap. (Doytsher)
  • Edge analytics: Como o dado crowdsourced se tornou uma escolha popular para muitos cenários de aplicações, o papel do edge analytics se torna importante não somente para o processamento, mas também para a perspectiva de privacidade e segurança. (Park)
  • Integração: Uma integração entre os stakeholders é necessária, de uma forma participativa mais ativa, cidadãos, consumidores, companhias, governos, … para assegurar o desenvolvimento de melhores soluções com maior alcance em questões sociais e ambientais. (da Silva)
  • Segurança e dados: Dados, segurança e proteção são essenciais, ex. segurança dos alimentos, proteção e controle de riscos. (Cruvinel)
  • Documentação/computação do conhecimento: Essencial é o conhecimento (factual, conceitual, metacognitivo, processual), educação na integração de ciências precisas e ciência dos dados, documentação (manual, automática, auditada, …), ex. recursos de conhecimento a longo prazo e multidisciplinares. (Rückemann)

 Sem dúvida, as conclusões desse evento, além de muito bem organizado e contar com o respaldo da comunidade científica internacional, representa uma porta de entrada para uma integração maior entre as empresas de tecnologia e as instituições de pesquisa do mundo todo. Assim é possível estar por dentro do universo das invenções, inovações tecnológicas e necessidades de mercado  nas diversas regiões do planeta para os assuntos abordados nas conferências.
É uma grande oportunidade das empresas de tecnologia, através do envio e apresentação de artigos, se beneficiarem dessa proximidade e utilizarem esses recursos para conseguir gerar um valor maior para o mercado e a sociedade em que atuam.

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